sábado, 17 de julho de 2010

MATA HARI e sua dança

Bom, por hoje vou dar um tempo em posts de "auto-ajuda" por assim dizer...
Hoje quero falar de uma grande diva, uma lenda, uma mulher que entrou para a história:

MATA HARI

Depois de uma conversa por email com a querida Célia que é escritora e sabe de muita coisa, comentei que eu não sabia muito sobre a Mata Hari, então ela me forneceu uma material bem legal, no qual vou colocar algumas passagens interessantes...


Ela aí bem gata numa edição que eu fiz!
Confiram o blog da Célia!


A dança de Mata Hari



"A dançarina holandesa Mata Hari (Margaretha Geertruida Zelle) atingiu um status de ícone na história da dança do século XX, em parte devido à sua execução como espiã alemã em 1917. Embora não possuísse formação em dança, ela apresentava seus trabalhos, principalmente em um estilo eclético oriental, com sucesso para as platéias européias".



Mata Hari ingressou na carreira artística em 1905, e em Em 1906, um crítico da Neue Wiener Journal escreveu: “Isadora Duncan está morta, vida longa a Mata Hari! Dançar com os pés nus é coisa do passado, a artista dos dias atuais é mais reveladora…”
(Imagine, Isadora Duncan é considerada a pioneira da dança moderna, causou polêmica ao ignorar todas as técnicas do balé clássico).



"Separada e brigada com seu marido, um oficial holandês, sofria pela morte misteriosa de seu filho pequeno e levava uma vida miserável, porque seu marido interrompera o pagamento de sua pensão alimentícia. Assim, sua carreira nos palcos e o abandono do estilo de vida burguês deram-se mais por necessidade do que por qualquer inclinação artística ou mesmo profissional. Embora seu estilo de vida marcado por excessos
e sua execução como espiã alemã na França, em 1917, tenham sido muito bem documentados, quase não há pesquisas que contextualizem sua dança no cenário do início do século XX".



Mata Hari não tinha nenhuma formação prévia em dança,"a artista começou apresentando suas próprias coreografias em estilo étnico, baseadas livremente em danças indianas e
javanesas, em salões parisienses privativos em 1905".
(Isso me lembra muito o início da dança tribal com a Jamila Salimpour).



"...ela declarava que suas criações eram autênticas danças asiáticas. Mata Hari provavelmente não tenha tido nenhum conhecimento direto das danças indianas, mas, com exceção de alguns críticos mais perspicazes, ninguém parecia reparar ou se importar com isso".

"Mata Hari continuou a apresentar suas coreografias, principalmente as danças em que aparecia (semi) nua, em casas de espetáculo e teatros, algumas vezes acompanhada por números de teatro de variedades...".



"Mais tarde ela dançou em revistas no Folies-Bergère, apresentou-se em comédias
musicais e em 1913 dançou no Teatro Palácio Trianon, na Sicília: um café-teatro que oferecia shows de cabaré com entretenimento musical, o que poderia ser considerado um período de decadência, já que ela dividiu o palco com artistas de talento questionável. Em 1914 a bailarina mudouse para Berlim e para a Holanda, onde sua carreira logo cessou devido à irrupção da Primeira Guerra Mundial, antes de ser presa pelos franceses como suspeita de espionagem para o governo alemão, no início de 1917".


Teatro Palácio Trianon

"Por causa da falta de registros em filmes e de descrições precisas, é difícil avaliar em retrospectiva a competência real da artista. Muitas descrições de Mata Hari dançando são irritantemente vagas, muito provavelmente porque ela evidenciava
mais uma aura mística do que qualquer vocabulário de passos reconhecíveis. Uma das descrições mais vívidas é dada por um crítico anônimo do Neue Wiener Journal, em 15 de dezembro de 1906. Em um artigo intitulado Danças de Brahma em Viena, o crítico relata a apresentação de Mata Hari na Sala da Secessão Vienense do seguinte modo:

"O auditório estava envolto em escuridão mística. Sombras azuis, verdes, e de luz branca. Um altar de Brahma rodeado por uma árvore frutífera em brotos foi erigido na
parte da frente da sala. Incensos queimando exalavam um perfume que aumentava a atmosfera quase solene do pequeno auditório. Então o ator Hofburg, Gregori entra
[…] improvisa um pequeno discurso introdutório. As danças de Mata Hari são como orações […] o povo indiano dança quando venera seus deuses. Mata Hari entra em um passo ritmado. Como uma Juno. Olhos grandes, flamejantes dão a seu rosto de feições
nobres uma expressão particular. Sua compleição morena […] harmoniza-se maravilhosamente a ela. Uma beleza exótica de primeira ordem. Um véu branco bem ajustado em seu corpo a envolve, uma rosa vermelha enfeita seus cabelos profundamente negros. E Mata Hari dança… Isto é: ela não dança. Ela faz uma prece diante do ídolo,
como um sacerdote faz um culto […]. [Então] Mata Hari dança o florescimento do amor em uma virgem. Um véu branco – o slendang – é o símbolo de sua castidade. Por baixo do véu, a linda dançarina veste um ornamento sobre os seios e um cinto dourado…
mais nada. O traje audacioso causa uma sensação menor. Mas sem o menor traço de obscenidade… O que a artista mostra na dança é arte. Cada músculo da parte
superior do corpo trabalha. A dança termina com a vitória do amor sobre a coibição… o véu cai […]. Finalmente, a dança de Shiva, o destruidor. A sacerdotisa,
em uma dança passional, sacrifica todas as suas jóias,para que ele ouça suas súplicas. Um véu cai após outro até que, ao final, ela jaz em toda sua nudez, bela e pura […]. A sacerdotisa sucumbe, inconsciente, aos pés do deus inflexível […] Uma grande ovação.
(ANÔNIMO, 1906, p. 9).


Filme:

O filme de 1931, "Mata Hari", descreve seus últimos dias de vida. Greta Garbo interpretou o papel principal. Existe uma outra versão do filme Mata Hari de 1985 com a atriz holandesa Sylvia Kristel.



Lindíssima Greta Garbo no papel de Mata Hari:



Trecho do filme:




Achei também esse vídeo onde há uma performance de dança do ventre inspirado na Mata Hari:



Eu particularmente fiquei bem satisfeita com o que aprendi sobre a Mata Hari. Os figurinos dela eram lindos, creio que muitas das nossas musas da dança tribal se inspiram nela, com certeza! Pena não haver nenhum vídeo da própria Mata Hari dançando!





E para finalizar, finalmente, uma performance belíssima das minhas musas tribais:



Texto: A dança de Mata Hari no contexto da feminilidade e do exotismo.
Autora: Alexandra Kolb
Agradecimentos: Célia, muito obrigada por ter cedido esse material de pesquisa íncrivel, pena que não dá para colocar tudo aqui, mas o essencial já postei, para que todos compartilhem desse conhecimento.

5 comentários:

Paula Braz disse...

Mariáh! Que maravilha sua postagem sobre Mata Hari! To aqui numa pesquisa desenfreada sobre ela para ministrar um work no Tribes. Fecho minha pesquisa aqui... brigadão!!!! Paula Braz

Mariáh Voltaire disse...

Que bom!
No final eu coloquei as referências, então é um material confiável!

:o)

Pena que não vídeos dela...

:o/

Companhia Flutuante disse...

Gostei desta breve introducao a mata hari Legal!
De repente pode ter mais informarcoes em ingles ou alemao?...

AndeR disse...

Valeu pelo comentário, Mariáh. Nós adoramos seu seu blog. E que sua viagem para Lisboa seja a melhor da sua vida. Bjão e sucesso. ;-)

Celia Cris Silva disse...

Mariáh, minha Mata Hari Tribal!!! Que delícia ler você e me ver no seu blog! E que saudade! Vou continuar procurando materiais bacanas sobre essa dançarina que abriu caminho para nós (mesmo sem saber). É uma honra estar aqui! Bjs.